| Título | Atuação do enfermeiro frente a paragem cardiorrespiratória no serviço de cuidados especiais do hospital Baptista de Sousa |
| Autor(es) | |
| Palavras-chave | paragem cardiorrespiratória unidade cuidados especiais atuação do enfermeiro |
| Data | 2026 |
| Resumo | A paragem cardiorrespiratória (PCR) é considerada a emergência mais grave e complexa no ambiente hospitalar, sendo definida pela interrupção súbita das funções do coração e do pulmão. Na Unidade de Cuidados Especiais (UCE), a elevada instabilidade e a gravidade dos utentes internados fazem com que este evento tenha uma probabilidade muito alta de acontecer. Isto exige dos profissionais de enfermagem uma resposta imediata, baseada em conhecimento científico e rapidez de raciocínio. Atualmente, as doenças do aparelho circulatório representam a principal causa de morte em Cabo Verde. Esta realidade gera uma transição epidemiológica preocupante que se reflete no número elevado e permanente de PCR registadas no Hospital Dr. Baptista de Sousa (HBS). Perante esta problemática, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a atuação prática e as vivências emocionais dos enfermeiros perante a PCR no UCE do HBS. Para o efeito, realizou-se uma investigação qualitativa, de caráter descritivo, exploratório e fenomenológico. A recolha de dados foi efetuada através de entrevistas semiestruturadas com cinco enfermeiros dessa unidade. Os dados obtidos foram tratados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin (2016), sendo os resultados finais interpretados à luz do modelo conceptual da Benner e a Teoria das Transições de Meleis. Os resultados apontam que no que concerne ao reconhecimento do evento, os enfermeiros identificam a PCR através da tríade clássica. No entanto, os profissionais seniores demonstram um perfil preditivo baseado em sinais prodrómicos (dor precordial, náuseas e dispneia), o que se traduz, na perspetiva de meleis, no indicador de processo designado como desenvolvimento de confiança e mestria. Quanto às intervenções, constatou-se uma excelente prontidão motora focada no suporte artificial de vida. Contudo, a escassez de recursos humanos impõe uma divisão mecânica de tarefas e uma rotatividade forçada entre apenas três operacionais por turno, atuando como um inibidor contextual que sobrecarrega a equipa. As dificuldades enfrentadas constituem condições de transição inibidoras de caráter psicossocial e ambiental, dividindo-se entre constrangimentos infraestruturais (falta de plano duro nas camas) e barreiras emocionais (stresse, ansiedade e medo do erro), além do ruído comunicacional na liderança. Relativamente ao cumprimento normativo, a ausência de um protocolo local gera o fenómeno da autonomia atomizada. Como estratégias preventivas e facilitadoras à cabeceira do doente, a equipa destaca a monitorização multiparamétrica proativa e contínua. Para operacionalizar estas ações, sugere-se a implementação de formações, a atribuição prévia de papéis e a realização obrigatória de briefings e debriefings pós-evento. Em conclusão, este trabalho confirma que a atuação e a sobrevivência do utente dependem de uma transição assistencial planeada. Torna-se urgente que a instituição hospitalar intervenha sobre as condições ambientais, criando um protocolo local unificado e melhorando os recursos estruturais e humanos da unidade para assegurar uma transição de saúde-doença segura e humanizada.A paragem cardiorrespiratória (PCR) é considerada a emergência mais grave e complexa no ambiente hospitalar, sendo definida pela interrupção súbita das funções do coração e do pulmão. Na Unidade de Cuidados Especiais (UCE), a elevada instabilidade e a gravidade dos utentes internados fazem com que este evento tenha uma probabilidade muito alta de acontecer. Isto exige dos profissionais de enfermagem uma resposta imediata, baseada em conhecimento científico e rapidez de raciocínio. Atualmente, as doenças do aparelho circulatório representam a principal causa de morte em Cabo Verde. Esta realidade gera uma transição epidemiológica preocupante que se reflete no número elevado e permanente de PCR registadas no Hospital Dr. Baptista de Sousa (HBS). Perante esta problemática, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a atuação prática e as vivências emocionais dos enfermeiros perante a PCR no UCE do HBS. Para o efeito, realizou-se uma investigação qualitativa, de caráter descritivo, exploratório e fenomenológico. A recolha de dados foi efetuada através de entrevistas semiestruturadas com cinco enfermeiros dessa unidade. Os dados obtidos foram tratados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin (2016), sendo os resultados finais interpretados à luz do modelo conceptual da Benner e a Teoria das Transições de Meleis. Os resultados apontam que no que concerne ao reconhecimento do evento, os enfermeiros identificam a PCR através da tríade clássica. No entanto, os profissionais seniores demonstram um perfil preditivo baseado em sinais prodrómicos (dor precordial, náuseas e dispneia), o que se traduz, na perspetiva de meleis, no indicador de processo designado como desenvolvimento de confiança e mestria. Quanto às intervenções, constatou-se uma excelente prontidão motora focada no suporte artificial de vida. Contudo, a escassez de recursos humanos impõe uma divisão mecânica de tarefas e uma rotatividade forçada entre apenas três operacionais por turno, atuando como um inibidor contextual que sobrecarrega a equipa. As dificuldades enfrentadas constituem condições de transição inibidoras de caráter psicossocial e ambiental, dividindo-se entre constrangimentos infraestruturais (falta de plano duro nas camas) e barreiras emocionais (stresse, ansiedade e medo do erro), além do ruído comunicacional na liderança. Relativamente ao cumprimento normativo, a ausência de um protocolo local gera o fenómeno da autonomia atomizada. Como estratégias preventivas e facilitadoras à cabeceira do doente, a equipa destaca a monitorização multiparamétrica proativa e contínua. Para operacionalizar estas ações, sugere-se a implementação de formações, a atribuição prévia de papéis e a realização obrigatória de briefings e debriefings pós-evento. Em conclusão, este trabalho confirma que a atuação e a sobrevivência do utente dependem de uma transição assistencial planeada. Torna-se urgente que a instituição hospitalar intervenha sobre as condições ambientais, criando um protocolo local unificado e melhorando os recursos estruturais e humanos da unidade para assegurar uma transição de saúde-doença segura e humanizada. |
| Tipo | Monografia Licenciatura - Monografia |
| URL | https://drive.google.com/file/d/1vmbe-s_q-YHjzbAOcuwleq0AtGR-Zwkq/view?usp=sharing |
| URL_Anexo | |
| Ficheiro |
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